domingo, 16 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 706



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

A tirinha ilustrada abaixo é base para a questão 706.



Bill Watterson. Felino selvagem psicopata homicida: um livro de Calvin e
Haroldo por Bill Watterson. Vol. 2. Best News: Cambuci/SP, 1996, p. 9.

Julgue o item seguinte com referência à tirinha ilustrada acima, que mostra diálogo entre o personagem Calvin e a sua professora, Srta. Wormwood.

706. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) O texto da fala de Calvin no segundo quadrinho poderia ser corretamente reescrito em registro formal, para uso em outra situação comunicativa em que o aluno se dirigisse, por exemplo, por escrito à professora, da seguinte forma: “Tendo em vista o fato de que a geração mais nova tem mais facilidade para absorver informações veiculadas pelos meios de comunicação visual, solicito à professora, Srta. Wormwood, que apresente o conteúdo em forma de videoclipe”.

Comentários.

Questão sobre reestruturação de períodos e tipologia textual.

A fala “A minha geração não absorve informação desse jeito. Você poderia reduzir tudo a clipes?”, presente no 2º quadrinho, poderia ser reescrita, em registro formal, da seguinte forma:

“Tendo em vista o fato de que a geração mais nova tem mais facilidade para absorver informações veiculadas pelos meios de comunicação visual, solicito à professora, Srta. Wormwood, que apresente o conteúdo em forma de videoclipe”.

A reescritura acima poderia ser empregada em outra situação de comunicação, preservando-se o sentido original e observando a forma culta para um texto escrito, por exemplo.

Correta a afirmação.

sábado, 15 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 705



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

A tirinha ilustrada abaixo é base para a questão 705.




Bill Watterson. Felino selvagem psicopata homicida: um livro de Calvin e
Haroldo por Bill Watterson. Vol. 2. Best News: Cambuci/SP, 1996, p. 9.

Julgue o item seguinte com referência à tirinha ilustrada acima, que mostra diálogo entre o personagem Calvin e a sua professora, Srta. Wormwood.

705. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) É correto concluir da leitura da tirinha que a professora tem a tendência de acolher as críticas feitas por Calvin e de adotar práticas novas com base nessas críticas.

Comentários.

Questão sobre interpretação de texto.

Pela atitude da professora, que determinou que os alunos passassem à página nova do livro, não atendendo às solicitações de Calvin, pode-se afirmar que a tendência do comportamento da professora é de não acolher as críticas feitas por Calvin, nem adotar práticas novas com base nas críticas.

Errada a afirmativa.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 704



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

A tirinha ilustrada abaixo é base para a questão 704.




Bill Watterson. Felino selvagem psicopata homicida: um livro de Calvin e
Haroldo por Bill Watterson. Vol. 2. Best News: Cambuci/SP, 1996, p. 9.

Julgue o item seguinte com referência à tirinha ilustrada acima, que mostra diálogo entre o personagem Calvin e a sua professora, Srta. Wormwood.

704. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) O texto aborda, de forma cômica, a distância entre a linguagem mais atraente ao aluno e a linguagem e os meios empregados na prática de sala de aula pela professora de Calvin.

Comentários.

Questão sobre interpretação de texto.

Sem dúvida, o texto, nos quadrinhos acima, aborda de forma cômica a distância entre a linguagem formal da professora e os meios empregados por ela (determinando que os alunos localizassem a página seguinte) e a que é mais atraente para o aluno (a exemplo da linguagem de “clipes” sugerida por Calvin à sua professora.

Correta a afirmação.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 703



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

O texto abaixo é base para a questão 703.


Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança se recusa a comer, pode haver duas explicações. Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo é um sábio: não come tudo o que jogam para ele, mas opera com um delicado senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de tomar sorvete?”. Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja capaz de fazer que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com nabo. Nabo e jiló não provocam sua fome.
(...)
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca esteve no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade. Quando visitei uma reserva florestal no Espírito Santo, a bióloga encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas, bichos, pedras. (...) Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão perto. (...) São brinquedos para elas. Estão naturalmente motivadas por eles. Querem comê-los. Querem conhecê-los. Rubem Alves. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 82-4 (com adaptações).

A respeito das ideias veiculadas no texto acima e de suas estruturas linguísticas, julgue o item seguinte.

703. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) O emprego das vírgulas logo após “sem fome” (7º período do 1º parágrafo) e “gostosas” (2º parágrafo) é facultativo; essas vírgulas poderiam, portanto, ser omitidas sem prejuízo para a correção gramatical do texto.

Comentários.

Questão sobre pontuação.

As vírgulas nos trechos “Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer” e “Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir”, isolam orações subordinadas deslocadas.

No primeiro caso, a oração “Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome” é subordinada adverbial temporal e está deslocada, porque aparece antes da oração principal, que é “há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer”.

No segundo caso, a oração “Se são gostosas” é subordinada adverbial condicional e está deslocada, porque aparece antes da oração principal, que é “ele come com prazer e quer repetir”.

As orações subordinadas deslocadas devem ser isoladas por vírgulas, não podendo, portanto, ser omitidas.

Resposta: E.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 702



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

O texto abaixo é base para a questão 702.


Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança se recusa a comer, pode haver duas explicações. Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo é um sábio: não come tudo o que jogam para ele, mas opera com um delicado senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de tomar sorvete?”. Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja capaz de fazer que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com nabo. Nabo e jiló não provocam sua fome.
(...)
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca esteve no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade. Quando visitei uma reserva florestal no Espírito Santo, a bióloga encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas, bichos, pedras. (...) Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão perto. (...) São brinquedos para elas. Estão naturalmente motivadas por eles. Querem comê-los. Querem conhecê-los. Rubem Alves. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 82-4 (com adaptações).

A respeito das ideias veiculadas no texto acima e de suas estruturas linguísticas, julgue o item seguinte.

702. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) Ao utilizar formas típicas da linguagem oral e coloquial, produzindo um texto com tom predominantemente informal, o autor aproxima-se do leitor.

Comentários.

Questão sobre interpretação e tipologia textual.
As formas típicas da linguagem oral e coloquial, isto é, da fala cotidiana, com inúmeras expressões informais, especialmente pelas comparações, são elementos utilizados pelo autor para aproximar-se do leitor.

Resposta: C.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 701



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

O texto abaixo é base para a questão 701.


Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança se recusa a comer, pode haver duas explicações. Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo é um sábio: não come tudo o que jogam para ele, mas opera com um delicado senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de tomar sorvete?”. Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja capaz de fazer que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com nabo. Nabo e jiló não provocam sua fome.
(...)
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca esteve no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade. Quando visitei uma reserva florestal no Espírito Santo, a bióloga encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas, bichos, pedras. (...) Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão perto. (...) São brinquedos para elas. Estão naturalmente motivadas por eles. Querem comê-los. Querem conhecê-los. Rubem Alves. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 82-4 (com adaptações).

A respeito das ideias veiculadas no texto acima e de suas estruturas linguísticas, julgue o item seguinte.

701. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) No período “Nunca esteve no mundo” (7º período do 2º parágrafo), o sujeito oculto da forma verbal “esteve” refere-se a “uma minhoca” (4º período do 2º parágrafo), e “Nunca” e “no mundo” exercem a função de adjunto adverbial.

Comentários.

Questão sobre concordância verbal e sobre funções sintáticas.

No trecho “Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca esteve no mundo”, o sujeito de “Nunca esteve neste mundo” é “uma criança”, e não minhoca. Quem nunca esteve naquele mundo é a criança, que se deslumbra com a imagem da minhoca no jardim.

As expressões “Nunca” e “no mundo” exercem a função de adjunto adverbial.

Apesar de a segunda parte da afirmação estar correta, a primeira parte não corresponde à verdade.

Resposta: E.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SÉRIE QUESTÕES COMENTADAS E RESPONDIDAS 700



Está sendo postada, diariamente, desde 10 de janeiro de 2011, uma questão do CESPE, visando aos concursos da Polícia Federal e INSS.

AS POSTAGENS 689 A 710 CONTÊM QUESTÕES DA PROVA REALIZADA EM 2011 PARA PROVIMENTO DE CARGOS DIVERSOS DA SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO ESTADO DO AMAZONAS – SEEDUC-AM, EM CONCURSO DE NÍVEL SUPERIOR ELABORADO PELO CESPE.

O texto abaixo é base para a questão 700.


Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança se recusa a comer, pode haver duas explicações. Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo é um sábio: não come tudo o que jogam para ele, mas opera com um delicado senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí eu pergunto: “O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de tomar sorvete?”. Pergunta boba. Nunca vi criança que não estivesse com vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja capaz de fazer que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com nabo. Nabo e jiló não provocam sua fome.
(...)
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca esteve no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade. Quando visitei uma reserva florestal no Espírito Santo, a bióloga encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas, bichos, pedras. (...) Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão perto. (...) São brinquedos para elas. Estão naturalmente motivadas por eles. Querem comê-los. Querem conhecê-los. Rubem Alves. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 82-4 (com adaptações).

A respeito das ideias veiculadas no texto acima e de suas estruturas linguísticas, julgue o item seguinte.

700. (CESPE – SEEDUC-AM – Bibliotecário-2011) No 3º período do 2º parágrafo, a forma verbal “Devoram” está no plural para concordar com seu sujeito: “As crianças” (1º período do 2º parágrafo).

Comentários.

Questão sobre concordância verbal.

No trecho “As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que veem. Devoram tudo”, o verbo “devorar”, em “Devoram”, tem seu sujeito em “Os olhinhos delas”, porque é a expressão mais próxima.

O sujeito, portanto, não é “As crianças”.

Resposta: E.